A Estação dos Sentidos
Por Andréa Andrade
23h11min
Foi numa estação de balões em meio a uma clareira repleta de lírios das mais variadas tonalidades, que me lembrava as belíssima latas de Caran D ‘Ache, que conheci a primeira pessoa “chave” de minha jornada.
Recordo como se fosse hoje, numa manhã de inverno, que apesar da estação o frio não incomodava, a fauna e a natureza pareciam agradecer a perfeição daquele clima. Um aroma de prosperidade e alegria rescendia por toda floresta. Até mesmo os beija-flores conhecidos por baterem as asas centenas de vezes por minuto, voavam calmamente por entre as flores como se as estivessem “beijando” pela primeira vez. Me disseram uma vez que ambientes frios são propícios para ampliação dos sentidos. Talvez seja verdade, pois tudo a minha volta se mostrava de uma beleza extremamente surreal.
O céu era de um azul tão brilhante, que me possibilitou enxergar os mínimos detalhes do que estava ao meu redor, como por exemplo as 8 brotoejas de uma joaninha que descansava nas pétalas de um lírio-aranha.
Assentei-me em um dos bancos de madeira próximos ao local de embarque/desembarque. Por ali passavam várias pessoas que cumpriam seus itinerários. Depois de alguns minutos senti alguém ao meu lado. Nos olhamos e uma simpatia instantânea instalou-se. Ficamos ali dialogando sobre amenidades, coisas do cotidiano quando avistei o balão pousando. Levantamos ao mesmo tempo, pois sem saber esperávamos o mesmo balão.
Subimos e tomamos nossos lugares, aquele balão em especial possuía 8 lugares, sendo quatro de um lado e quatro do outro, e somente duas poltronas estavam ocupadas, as nossas.
Já lá em cima, pude perceber o quanto somos pequenos em relação a tudo que nos cerca. Estávamos voando bem alto, que até mesmo os lírios que se mostravam gigantes agora pareciam pingos de tinta colorida espalhados de maneira harmoniosa sobre uma imensidão verde.
Depois do balão se estabilizar em certa altura, voltamos a conversar sobre a vida. Quanto mais conversávamos mais a simpatia tornava-se um sentimento com sensações extremamente agradáveis. Tinha impressão de que meus sentidos estavam mais aguçados. Como sempre o que chamava mais atenção eram as nuances. Tão vivas que davam nítida sensação de que se as tocasse me encheria de cor.
Conversava sem saber o que estava dizendo, mas ouvia suas palavras clara e perfeitamente. Quanto mais dialogávamos, mesmo não tendo noção de minhas palavras, mais absorta ficava de tudo a minha volta.
Foi aí que percebi que não era um diálogo e sim um monólogo. A outra pessoa se quer, abria boca. Perguntei-me então de onde vinham as palavras que aparentemente eram por mim ouvidas, e de imediato tive uma resposta. Suas palavras chegavam através do pensamento. Fiquei paralisada tentando absorver aquilo quando de repente o céu descortinou e lá no horizonte que parecia está bem próximo uma fenda se formou.
“Quando acontece o encontro de duas almas que se alinham e vibram numa mesma e idêntica freqüência ocorre o “elo de constantes” que antes havia se perdido no espaço-tempo multidimensional, mas que com o “reencontro” poderão experienciar novas realidades, pois possuem a “chave” para outras dimensões.”
O que senti e ainda sinto ao relembrar dessas palavras é algo que trago comigo. Não só carrego como tento de várias maneiras passá-las adiante para que as pessoas consigam encontrar as pessoas “chave” de sua jornada.
A cada “reencontro” uma nova “chave” nos é entregue e com ela “portas” são abertas, nos mostrando um “mundo” feito exclusivamente de nossas emoções.
-> Faça aqui o download do papel parede que está na capa da revista